O que é um questionário?
Questionário é o principal instrumento utilizado para obtenção e registro de dados por amostragem. O objetivo deste é coletar dados que se traduzam em informações suficientemente aproximadas sobre uma população alvo, que dizem respeito ao tema abordado. Esta coleta de dados baseia-se na resposta por parte de alguns indivíduos da população alvo de perguntas que abrangem o assunto pesquisado. O questionário pode ser definido como “Um conjunto de perguntas sobre um determinado tópico que não testa a habilidade do respondente, mas mede sua opinião, seus interesses, aspectos de personalidade e informação biográfica.” (Yaremki, R.K. , Harari, H., Harrison, R.C., Lynn, E. (1986). Gunther, H. (2003).)
O questionário pode ser aplicado de diversas formas: pessoalmente, por correio, por telefone, pela web, etc.. Por isto, é um instrumento especialmente útil e econômico para recolher dados de amostras amplas, ou que estejam distantes. Devido ao grande número de respondentes possíveis, abarca aspectos quantitativos e qualitativos.
População alvo
A população alvo deve ser definida no princípio da formulação do questionário. Esta influencia em todas as etapas de planejamento e construção do instrumento: No modo como as perguntas devem ser formuladas, no método de aplicação, na quantidade de perguntas, etc.. Ao selecionar os idosos como população alvo, pode ser necessário descartar a aplicação via e-mail.
Após definir a população alvo, deve-se definir a amostra, ou seja, os indivíduos que realmente responderão o questionário. Este deve ser um passo cuidadoso: os indivíduos devem representar proporcionalmente a população. Grande parte do enviesamento dos dados ocorre neste passo. Esta tarefa, teoricamente, é impossível. Podemos afirmar que o simples fato de responder um questionário já segrega a população entre indivíduos que respondem questionários e indivíduos que não respondem questionários. Assim, devemos assegurar que a proporção entre as facções que ocorrem na população seja igual entre os respondentes.
Técnicas de abordagem
Uma das dificuldades do questionário ocorre quando há desobrigação por parte do respondente. Ao contrário de uma prova, o pesquisador se encontra em posição de pedinte. Por isso, é complicado garantir que grande parte dos questionários distribuídos sejam respondidos, e que sejam respondidos com veracidade. Por isso, o formato do questionário deve ser simples, de forma a facilitar sua resposta. Além disso, é importante que se construa uma relação de confiança com o respondente.
Perguntas abertas ou fechadas
Perguntas abertas podem ser usadas em casos onde o tema pesquisado não é muito conhecido. Sua flexibilidade permite que o respondente exponha sua opinião sobre um tópico que não possua respostas definidas ou as possíveis respostas não são conhecidas(geralmente em um estudo piloto). Além disso, são mais simples de serem elaboradas, já que não é necessário construir um conjunto de respostas.
Perguntas fechadas facilitam a transcrição do resultado, e sua análise (até mesmo através de programas computadores, podendo gerar estatísticas e inferências automaticamente). Porém, sua elaboração é mais complicada. O conjunto de respostas precisa ser exclusivo e exaustivo. Ser exclusivo significa que não é possível eleger duas respostas dentre as pertencentes ao conjunto. Ser exaustivo significa que todas as respostas possíveis devem estar contempladas em algum ítem do conjunto.
Algumas pessoas dizem que a resposta fechada limitam a liberdade de expressão da amostra. Isto é uma falácia. Ao replicar uma questão aberta, o respondente está submetendo suas palavras a uma categorização realizada pelo pesquisador. Já na pergunta fechada, o próprio respondente qualifica sua opinião, sem sujeitar-se a interpretações.
Formulando perguntas
As perguntas precisam ser formuladas e organizadas de modo a manter a tarefa breve e fácil, evitando torná-la aborrecedora ou aversiva. O questionário deve conter apenas perguntas que valem a pena serem analisadas. É importante que o respondedor sinta que as perguntas têm relevância, para que as responda com a atenção devida.
Gunther, H. (2003) indica dois princípios de estruturação:
O questionário deve partir de ítens mais gerais, encaminhando-se para ítens mais específicos. Isto vale também para seções de ítens: cada seção deve começar com perguntas mais gerais. Este tipo de pergunta serve mais como uma introdução o tema a ser tratado, deixando o respondedor mais confortável com o questionário. Apresentar perguntas muito específicas no princípio do instrumento pode inibí-lo, fazendo-o se sentir em uma investigação policial.
O outro princípio é que, na medida do possível, o questionário deve seguir uma ordem lógica. Isto contribui para que o respondedor eleja suas resposta sem muito esforço, o que é muito importante para manter a tarefa o mais agradável possível.
Referências : Gunther, H. (2003). Como Elaborar um Questionário (Série: Planejamento de Pesquisa nas Ciências Sociais, No 01). Brasília, DF: UnB,Laboratório de Psicologia Ambiental
Muñoz, T. (2003). El Cuestionario como instrumento de investigacón/evaluación (Etapas del Proceso Investigador).
Yaremki, R.K. , Harari, H., Harrison, R.C., Lynn, E. (1986). Handbook of research and quantitavtive methods in psychology. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum